26 de junho de 2011

273

Um dia vou conversar sobre tudo como num papo de botequim. Ou talvez só pra mim., como ontem e hoje, ou todos os dias que decorreram de até então.

Olhando, sou a mesma, aprimorada nos acertos e erros. Desconhecendo os lugares de sempre, com menos alguns. Ninguém muda da noite pro dia, mesmo que tenha um bom professor. O bom professor diria: Não é necessário esconder os erros, eles fazem parte da perfeição. Talvez ele dissesse pra cometer erros diferentes.

Ninguém é perfeito o bastante pra ser copiado, ninguém é errante o bastante que não tenha o que ensinar.

Não existem regras, não existem conceitos que valham não serem quebrados. E por isto a inconstância. Um milhão de possibilidades, se você não olhar sempre pro mesmo lado.

Ainda vai existir a lembrança, a última, que ironicamente não lembro. Melhor assim. Sou capaz de ficar o resto da vida tentando reconstruir, e vai ser como se todos momentos este instante se repetisse. Ao sabor da vontade, sempre com respostas diferentes que pudesse recriar. Sim faltou, a melhor parte talvez seja adiante, quando se perceber mais claramente. O acaso pode resolver por conta própria...que resolva, que valha todo o resto. A existência do final será um feito.

Lembro todos os dias de até então. Não conto, sei disso porque foi bem mais de uma vez.

Resta um pedido: Que não me recrie em ninguém, muito menos em você. Somos diferentes, o bastante pra que cada um tenha sua própria luz. Somos infinitos se respeitarmos aquilo que criamos. A beleza vem disso, do que somos enquanto dormimos, sem defesas.

Não me subestime, a razão de você não entender é que vai perpetuar o mistério que existe. É é isto que traz o crescimento, andar por trilhas desconhecidas, sem chegadas.

Motivos incompletos, são o que completam, o que é explicado jamais chega a lugar algum. A beleza vem assim, das diferenças, não dos iguais.

Saudades..

22 de junho de 2011

272

Mais algumas das minhas teorias..Existe quem confunda tocar um instrumento com ser músico...Bater foto com fotógrafo..Saber mexer no final CUT com ser editor..

Ainda existe quem ache...

Que quem trabalha em TV, não pode fazer vídeos para internet, celular, cinema...Que quem aparece em Tv sempre é apresentador..Que quem escreve em jornal não pode escrever em sites, blogs, revistas, twitter...

O mundo não se divide pelas mídias em que é veiculado, e sim pela forma!!!!!!

...me expliquei ou vai achar que TV é só aquele aparelho de tubo que fica no meio da sala e que todos se reúnem no mesmo horário pra ver Jornal Nacional??

Eu me comunico por imagem em movimento e som...é nisto que trabalho, não em TV. Entendeu lerdinho?

2 de junho de 2011

271

Este texto é da Martha Medeiros, e li pela primeira vez por uma amiga do facebook. Fala muito de pessoas que assim como eu, não fogem da tristeza. Não é o caso agora, mas poderia ser. Pessoas tristes e caladas, se transformam num perigo absoluto, doença contagiosa, escondendo grandes segredos ou arquitetando maldades..pessoas assim, são excluídas, quando precisam exatamente do oposto. Mas a Martha Fala melhor....

Se eu disser pra você que hoje acordei triste, que foi difícil sair da cama, mesmo sabendo que o sol estava se exibindo lá fora e o céu convidava para a farra de viver, mesmo sabendo que havia muitas providências a tomar, acordei triste e tive preguiça d...e cumprir os rituais que faço sem nem prestar atenção no que estou sentindo, como tomar banho, colocar uma roupa, ir pro computador, sair pra compras e reuniões – se eu disser que foi assim, o que você me diz? Se eu lhe disser que hoje não foi um dia como os outros, que não encontrei energia nem pra sentir culpa pela minha letargia, que hoje levantei devagar e tarde e que não tive vontade de nada, você vai reagir como?   Você vai dizer “te anima” e me recomendar um antidepressivo, ou vai dizer que tem gente vivendo coisas muito mais graves do que eu (mesmo desconhecendo a razão da minha tristeza), vai dizer pra eu colocar uma roupa leve, ouvir uma música revigorante e voltar a ser aquela que sempre fui, velha de guerra.   Você vai fazer isso porque gosta de mim, mas também porque é mais um que não tolera a tristeza: nem a minha, nem a sua, nem a de ninguém. Tristeza é considerada uma anomalia do humor, uma doença contagiosa, que é melhor eliminar desde o primeiro sintoma. Não sorriu hoje? Medicamento. Sentiu uma vontade de chorar à toa? Gravíssimo, telefone já para o seu psiquiatra.   A verdade é que eu não acordei triste hoje, nem mesmo com uma suave melancolia, está tudo normal. Mas quando fico triste, também está tudo normal. Porque ficar triste é comum, é um sentimento tão legítimo quanto a alegria, é um registro de nossa sensibilidade, que ora gargalha em grupo, ora busca o silêncio e a solidão. Estar triste não é estar deprimido.   Depressão é coisa muito séria, contínua e complexa. Estar triste é estar atento a si próprio, é estar desapontado com alguém, com vários ou consigo mesmo, é estar um pouco cansado de certas repetições, é descobrir-se frágil num dia qualquer, sem uma razão aparente – as razões têm essa mania de serem discretas.   “Eu não sei o que meu corpo abriga/ nestas noites quentes de verão/ e não me importa que mil raios partam/ qualquer sentido vago da razão/ eu ando tão down...” Lembra da música? Cazuza ainda dizia, lá no meio dos versos, que pega mal sofrer. Pois é, pega mal. Melhor sair pra balada, melhor forçar um sorriso, melhor dizer que está tudo bem, melhor desamarrar a cara. “Não quero te ver triste assim”, sussurrava Roberto Carlos em meio a outra música. Todos cantam a tristeza, mas poucos a enfrentam de fato. Os esforços não são para compreendê-la, e sim para disfarçá-la, sufocá-la, ela que, humilde, só quer usufruir do seu direito de existir, de assegurar seu espaço nesta sociedade que exalta apenas o oba-oba e a verborragia, e que desconfia de quem está calado demais. Claro que é melhor ser alegre que ser triste (agora é Vinícius), mas melhor mesmo é ninguém privar você de sentir o que for. Em tempo: na maioria das vezes, é a gente mesmo que não se permite estar alguns degraus abaixo da euforia.   Tem dias que não estamos pra samba, pra rock, pra hip-hop, e nem pra isso devemos buscar pílulas mágicas para camuflar nossa introspecção, nem aceitar convites para festas em que nada temos para brindar. Que nos deixem quietos, que quietude é armazenamento de força e sabedoria, daqui a pouco a gente volta, a gente sempre volta, anunciando o fim de mais uma dor – até que venha a próxima, normais que somos.

20 de maio de 2011

270

Sim, sim,


Existe aquele subterfúgio de criar os ausentes com ideias que podem ter surgido do modelo original. A partir de então tudo será de minha autoria. Vou reagir, inventar discussões, alegrias, chorar, rir e viver baseado única e exclusivamente das lembranças, e da minha criatividade. A imaginação completa as informações que faltaram, preenchendo os quadrinhos de histórias em branco.

Ai no dia em que se encontrarem, poderá dizer: Não sei quem você é, conheço só o esboço, mas posso dizer com certeza quem eu construí pra ficar boa da falta de você.

alguns chamam isto de saudade.

3 de maio de 2011

269

Era uma vez, uma princesa solta pela terra encantada dos romanos. Costumava ir pra lá pensar na vida e conhecer história. Certa vez, faltava-lhe preencher uma lacuna em vazio. Apesar de já ter passado muitas tardes pelas ruelas do vaticano. Não conhecia o pai de todos, o papa.

Disseram-lhe que todas as quartas ele fazia seu culto na praça, o que pareceu uma grande oportunidade. Assim se dirigiu até lá.

Achou estranho encontrar tudo vazio, não propriamente vazio, mas vazio do tipo “não houve culto”...

Foi até um daqueles guardas vestidos de Peter pan, que pertencia à guarda papal, perguntar o que acontecera.

Hoje o papa se reúne em audiência privada com diversas nações explicou o filhote de Peter pan. Não haverá missa ao ar livre. Desolada, não se perdoou por mais uma vez escapar de ver o Papa. No dia seguinte partiria explicou.

Tão querida, simpática e fofa moçoila, perguntou ele, de onde ès? Do Brasil disse ela...pois então, temos uma comissão brasileira entre as nações convidadas, queres que coloque teu formoso nome entre os presentes?

SIMMMMMMMMM!!! REPONDEU ELA!!! Quero ir na audiência com o Papa!!

Assim sendo, entrou pela primeira vez nos jardins do Vaticano, e bem quietinha num canto, se viu rodiada de fieis que ouviam atentamente o pai de todos. E Ela, uma metodista pouco crente, presenciando o que pra ela já era história!

E assim seria...

Pois nesta semana, aquele mesmo papa a quem ouviu atentamente de tão perto, foi beatificado, e está prestes a se tornar um santo.

Neste momento, sentada no computador, está metodista de araque se dá conta que na igreja em que foi criada, não se acredita em santos, muito menos em perdão..

Mas sim! Ela conhece um santo, e era um cara super simpático. Obrigada Peter Pan! Graças a você tive a honra de conhecer o papa João Paulo II.

Seria um milagre?

21 de abril de 2011

268

Nenhuma palavra escrita ou falada sem verdade será um poema. Só existe beleza nas palavras sinceras, sendo elas devaneio ou sonho. Sim, até mesmo eles são verdadeiros. Os sonhos que não aconteceram também são puros, porque são involuntários. Palavras que matam são arquitetadas, por sentimentos ou raciocínio. E tem ainda aqueles que são cruéis por preguiça. Sim, dá trabalho ser do bem.

Hoje foi curto e eloqüente.

OBS. De resto tá tudo tri!!! (faz dois dias que chego em casa e faço meu personal churrasco), por hoje, viro vegetariana.

12 de abril de 2011

267

Estava eu fazendo minha malinha, e deu vontade de escrever.
Vou jogar umas coisas aqui...

Não me imagino ter passado os últimos dois anos em Porto Alegre, e não passei. Quem conviveu comigo em 2008/2009 sabe que minha vida foi mmuitoo difícil. Foram poucas testemunhas. Não sou do tipo que fica reclamando em alta voz.

Assim como também sei que se tivesse ficado, a vó teria vivido mais. E também sei que meu irmão me deu suporte de melhor amigo por várias vidas. Esteve onde eu não podia estar. Vai fazer um ano. Foi trabalho de equipe, talvez o melhor e mais difícil.

A vida aqui não tem sido fácil, mais escolhi que a vida não fosse fácil. E tem os irmãos que se encontra pelo caminho. E tem, nossa se tem. Como tudo que é realmente bom, poucos. E tem o mar...a areia da praia, e o vento.

Tem os amigos que insistem em não ir embora, e aqueles que foram, coreografia própria. E tem aqueles que não falo mas existem a todo o momento. Tem os momentos que desabo, e os que levanto. Se alguém escreveu este roteiro, saiba que é perfeito.

Se eu tivesse que oferecer uma característica minha seria a capacidade de perceber detalhes. Só lamento se alguma coisa me passou em branco, sem o devido valor. Deve ter passado, mas não sei. Então na minha doce ignorância continuo buscando.

Um pouco antes da vó falecer, fui com o Cao até a clínica. Era o bicho predileto dela, disparado! As mãozinhas de coelho. Quem conhece gato, sabe como é difícil mudar de ambiente. Tirei da caixa de transporte e coloquei no colo dela, e ali ficou, bem quietinho, como se estivesse em casa. A foto é linda! E representa muito pra mim. Sábio este menino!



Da mesma forma quando eles vieram e me fizeram sentir em casa. O mundo é incrivelmente perfeito.

Obviamente só me sentei agora pra escrever porque não sei fazer mala, e foi uma forma de adiar. Na verdade tenho dificuldade em partir, em qualquer situação. Talvez isto explique todo o resto.