2 de agosto de 2010

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Oi vó,
Estou aqui ouvindo a trilha do Paciente Inglês, terminando o feijão que deixei de molho ontem. Fazia tempo que não cozinhava, mas de repente bateu aquela vontade de comer o feijão que fazia e que tu tanto gostava. Regado a vinho sim, porque também fazia parte do cardápio. O Ruan mia, Tina deitada do lado, e o cao...sumiu..deve estar no quarto..nada..na mesinha da entrada, como se fosse enfeite. Coloquei todas as coisinhas que tu gosta no feijão, mas talvez eu exagere na pimenta que me acompanhou a Joanesburgo, e que hoje, bateu vontade. Tu estava lá comigo, eu sei, sentia. Nunca esteve tão presente. Sempre que ligava pra casa, me dava uma vontade instantânea de perguntar por ti, sem me lembrar que na verdade, tu viajou comigo. A Beth falou pro Regis que te viu subindo naquela hora que tanto tinha medo. Foi pro céu, com toda história que às vezes era demônio. Foi feito anjo, porque assim vão as senhoras de 97 anos. Precisa de coragem para os 97. Coragem e vontade, que eu mesma acho que não tenho. Alguém pra viver até ai. E eu fazia parte desta vontade. Pode rir, mas fiz o feijão com água com gás! Era o que tinha! De resto só faltou o louro...que tu levava pra mim e deixava secando num pote da cozinha. A cozinha mudou, agora é menor. As pessoas aqui preferem comer fora, não sabem que cozinhar é terapia. Fazem cozinhas do tamanho do afeto do arquiteto, que burros! Fazia tempo que não experimentava isto. Tinha, cansado, desistido. Mas, lembrei de ti. E vou levar comigo, mesmo sem jeito, do meu jeito, do nosso jeito. TIM TIM.

Agora a casa cheira a feijão, tão familiar, que bom.
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