20 de maio de 2011

270

Sim, sim,


Existe aquele subterfúgio de criar os ausentes com ideias que podem ter surgido do modelo original. A partir de então tudo será de minha autoria. Vou reagir, inventar discussões, alegrias, chorar, rir e viver baseado única e exclusivamente das lembranças, e da minha criatividade. A imaginação completa as informações que faltaram, preenchendo os quadrinhos de histórias em branco.

Ai no dia em que se encontrarem, poderá dizer: Não sei quem você é, conheço só o esboço, mas posso dizer com certeza quem eu construí pra ficar boa da falta de você.

alguns chamam isto de saudade.

3 de maio de 2011

269

Era uma vez, uma princesa solta pela terra encantada dos romanos. Costumava ir pra lá pensar na vida e conhecer história. Certa vez, faltava-lhe preencher uma lacuna em vazio. Apesar de já ter passado muitas tardes pelas ruelas do vaticano. Não conhecia o pai de todos, o papa.

Disseram-lhe que todas as quartas ele fazia seu culto na praça, o que pareceu uma grande oportunidade. Assim se dirigiu até lá.

Achou estranho encontrar tudo vazio, não propriamente vazio, mas vazio do tipo “não houve culto”...

Foi até um daqueles guardas vestidos de Peter pan, que pertencia à guarda papal, perguntar o que acontecera.

Hoje o papa se reúne em audiência privada com diversas nações explicou o filhote de Peter pan. Não haverá missa ao ar livre. Desolada, não se perdoou por mais uma vez escapar de ver o Papa. No dia seguinte partiria explicou.

Tão querida, simpática e fofa moçoila, perguntou ele, de onde ès? Do Brasil disse ela...pois então, temos uma comissão brasileira entre as nações convidadas, queres que coloque teu formoso nome entre os presentes?

SIMMMMMMMMM!!! REPONDEU ELA!!! Quero ir na audiência com o Papa!!

Assim sendo, entrou pela primeira vez nos jardins do Vaticano, e bem quietinha num canto, se viu rodiada de fieis que ouviam atentamente o pai de todos. E Ela, uma metodista pouco crente, presenciando o que pra ela já era história!

E assim seria...

Pois nesta semana, aquele mesmo papa a quem ouviu atentamente de tão perto, foi beatificado, e está prestes a se tornar um santo.

Neste momento, sentada no computador, está metodista de araque se dá conta que na igreja em que foi criada, não se acredita em santos, muito menos em perdão..

Mas sim! Ela conhece um santo, e era um cara super simpático. Obrigada Peter Pan! Graças a você tive a honra de conhecer o papa João Paulo II.

Seria um milagre?

21 de abril de 2011

268

Nenhuma palavra escrita ou falada sem verdade será um poema. Só existe beleza nas palavras sinceras, sendo elas devaneio ou sonho. Sim, até mesmo eles são verdadeiros. Os sonhos que não aconteceram também são puros, porque são involuntários. Palavras que matam são arquitetadas, por sentimentos ou raciocínio. E tem ainda aqueles que são cruéis por preguiça. Sim, dá trabalho ser do bem.

Hoje foi curto e eloqüente.

OBS. De resto tá tudo tri!!! (faz dois dias que chego em casa e faço meu personal churrasco), por hoje, viro vegetariana.

12 de abril de 2011

267

Estava eu fazendo minha malinha, e deu vontade de escrever.
Vou jogar umas coisas aqui...

Não me imagino ter passado os últimos dois anos em Porto Alegre, e não passei. Quem conviveu comigo em 2008/2009 sabe que minha vida foi mmuitoo difícil. Foram poucas testemunhas. Não sou do tipo que fica reclamando em alta voz.

Assim como também sei que se tivesse ficado, a vó teria vivido mais. E também sei que meu irmão me deu suporte de melhor amigo por várias vidas. Esteve onde eu não podia estar. Vai fazer um ano. Foi trabalho de equipe, talvez o melhor e mais difícil.

A vida aqui não tem sido fácil, mais escolhi que a vida não fosse fácil. E tem os irmãos que se encontra pelo caminho. E tem, nossa se tem. Como tudo que é realmente bom, poucos. E tem o mar...a areia da praia, e o vento.

Tem os amigos que insistem em não ir embora, e aqueles que foram, coreografia própria. E tem aqueles que não falo mas existem a todo o momento. Tem os momentos que desabo, e os que levanto. Se alguém escreveu este roteiro, saiba que é perfeito.

Se eu tivesse que oferecer uma característica minha seria a capacidade de perceber detalhes. Só lamento se alguma coisa me passou em branco, sem o devido valor. Deve ter passado, mas não sei. Então na minha doce ignorância continuo buscando.

Um pouco antes da vó falecer, fui com o Cao até a clínica. Era o bicho predileto dela, disparado! As mãozinhas de coelho. Quem conhece gato, sabe como é difícil mudar de ambiente. Tirei da caixa de transporte e coloquei no colo dela, e ali ficou, bem quietinho, como se estivesse em casa. A foto é linda! E representa muito pra mim. Sábio este menino!



Da mesma forma quando eles vieram e me fizeram sentir em casa. O mundo é incrivelmente perfeito.

Obviamente só me sentei agora pra escrever porque não sei fazer mala, e foi uma forma de adiar. Na verdade tenho dificuldade em partir, em qualquer situação. Talvez isto explique todo o resto.

27 de março de 2011

266

Hoje, apesar do dia lindo que faz aqui, fico na cama curando nariz entupido.. DOMINGO tem coisas bizarras na TV, tentativa de modernismos, e apresentadores que definitivamente não são o Chacrinha.

Ontem, teve uma pequena reunião involuntária de librianos. Conclusão, gostamos de pensar. Não é de propósito, mas por necessidade de tentar manter a famosa balança equilibrada. Alguém diz assim: Não procura explicação pra tudo, porque nem sempre existem. Ok, mas o que tiver explicação quero buscar. Como ver um sundae a dois palmos de distância, e sempre que está se aproximando, escapa. Rá!! To rindo, é assim mesmo.

Acabei lembrando de uma história que fez parte da minha vida, e me acompanha até hoje de outra forma.

Dos 6 aos 16 anos veraneava na mesma praia com o mesmo grupo de famílias. Primeiro numa barraca, depois em casinhas calculadamente construídas lado a lado. Se formou uma espécie de aldeia, no sentido de grupo. Os pais eram amigos, os filhos da mesma idade também, etc etc etc...se faziam reuniões, confraternizações, jogos, times, churrascadas, conflitos.

Meu conflito particular era de não me enquadrar em nenhum grupo. Enquanto as gurias da minha idade queriam se por bonitas e faceiras, eu queria jogar roleta. Elas queriam trocar confidências, e eu brincar de detetive, elas tomavam banho de sol e eu pegava jacaré...sempre tive vocação pra me divertir. E sinceramente achava um tanto enfadonha a vidinha de lady.

Nesta época fui uma espécie de líder de uma gangue de gurizis bem mais novos que eu. Só eles tinham fôlego pra topar as minhas paradas. Não se cansavam de jogar 7 e meio a dinheiro, fabricar planondas, fazer expedições pelo deserto, campeonatos mundiais de vôlei etc etc etc..

Eis que chegou o dia em que a garota também queria virar mocinha. Não como aquelas que segregavam, mas de outra forma. Precisava achar parceria pra isto, e aconteceu.

Foi numa daquelas tardes nubladas de Imbé, onde só passava vendedor de biscoito amanteigado e puxa-puxa, que vi uma tipa nariz empinado zunindo pelas ruas esburacas numa MOBILETE. Nossa!!! Lembro de sentir certa inveja da mobilete. Enquanto eu tinha que pegar emprestada a monareta do meu irmão, ou caloi 10? Ou a Cesi da minha mãe? A verdade é que eu não tinha nem uma bicicleta pra chamar de minha (nota familiar: Porque não ganhei uma bicicleta?).

Os torneios de vôlei nos aproximaram, e o fato dela ser desde os 13 perdidamente apaixonada pelo meu irmão ajudou. Pouco a pouco me vi montada na mobilete freqüentando lugares longínquos de imbé, ou pelos dindinhos de Tramandaí com a minha inseparável e aventureira amiga, que gentilmente colocamos o codinome Megue (que ela odeia, mas não posso mudar a história).

Sim, foi ela que me tornou aceita. Fazendo parte de um grupo, na nossa distante adolescência. E por obra do destino, alguns anos mais tarde, acabou se tornando minha cunhada (Nossos planos de enlace com o meu brother funcionaram!).

Bom, na verdade, é uma bela história, e fiz aqui a versão bem reduzida. Tudo isto pra dizer que os anos passaram, e que continuo não sendo aquela menina que troca o cabeleireiro pelas aventuras da vida. Apesar de fazer as unhas e o cabelo com relativa freqüência, não sou a pessoa padrão, filosofo demais, fico emburrada e feliz com a mesma facilidade. A meu favor tem o fato de não julgar pelas aparências. E é claro, muitos continuam me vendo como um bicho misterioso e esquisito..e o que não é padrão, nem sempre é aceito.

Enfim, quem fica de escanteio, ou desiste ou aprende a fazer gol olímpico! Sim, ainda tá faltando eu me sentir parte disto aqui.

(tô treinando o tal gol olímpico)

21 de março de 2011

265

Hábitos estranhos como fazer a sobrancelha nos sinais fechados que me levam até o trabalho. Me dá aflição não ter uma pinça decente ao alcance da mão.

Hábitos como beber uma dose todos os dias. É o sinal de que chegou à hora de relaxar. Passei do vinho tinto, pra Miller, depois Stella, Dos Equis. Uma dose só, vendo a paisagem da noite chegando.

Hábitos como escrever depois da lua cheia, quando parte uma dose de conflitos que voltarão, sim, na próxima lua cheia.

Hábitos como ligar pra casa as segundas e não aos domingos. Porque as segundas são cheias de esperanças, de começos e resoluções, os domingos são como um final. E quero sempre recomeçar.

Hábitos como dormir com o celular na tomada, um travesseiro pra abraçar, granola pra acordar, uma cachorra pra passear, e sair conferindo se não esqueci o gás aberto.

Não acordo de sopetão, acordar e dormir são momentos muito especiais pra se fazer correndo. O que é bom se faz com calma, sem pressa, antes e depois.

Como não me cansar das mesmas pessoas. Hábito das descobertas.

Tenho dificuldade em lembrar palavras como chicote, Windsor e ..aquela coisinha que se come pra limpar o paladar na comida japonesa...que obviamente não me vem agora.

Compro pelas marcas, pela fidelidade, pelo que me lembram. Tenho sempre uma boa garrafa de vinho tinto e champagne escondida em casa. Assim como minha escova elétrica, tomate orgânico, ricota, pão integral, um vasinho de manjericão, alecrim e uma flor rosa.

Tenho vários momentos escondidos em pensamento. Porque acordada acho que estão tão longes que não existiram. E se só eu sei, como são estes sonhos entre dormir e o amanhecer.

Tenho o hábito de me criticar, porque é uma das formas de ser humana. De encontrar meus erros, mais do que os acertos. É minha auto penitência, que me cobra tanto.

E então..Vou estar distraída, vou esquecer coisas óbvias, vários nomes e sobrenomes, muitas histórias que me pediram segredo. Mas vou lembrar todas as sensações.

Bebi o último gole da minha cervejinha. Não vou escolher os socialmente aceitos, ricos...mais mais...se for preciso escolher, vou preterir o conhecimento pela garra, a inteligência pela sensibilidade.

Vou escolher pelas capacidades particulares..não tão óbvias assim, e muito menos...racionais.

9 de março de 2011

264

Já passei muitos carnavais..

Com 20 anos fui pra Itália pela primeira vez, muito pouca grana e o ap da minha irmã em Roma. Resolvi gastar a graninha entre Firenze e Veneza, sozinha.

Cheguei numa noite fria de Carnaval veneziano. Andar de vaporetto vendo a cidade teria bastado. No carnaval então ...foi uma das cenas mais belas do filme da minha vida. Veneza é a cidade mais emocionante que conheci.

Da outra vez foi em Parintins, no meio da Amazônia. Viajei com um canivete suíço e cobertor térmico, se o avião caísse....rsrsrsr..muito louco. Os carros alegóricos mais absurdos que já tinha visto, no meio da selva. O carnaval mais exótico de todos..babei. este sim deveria ser consumido a rodo pelos gringos.

Meu terceiro carnaval memorável foi na última segunda, quando a Salgueiro entrou. O camarote ficava bem na frente dos jurados, um espetáculo. Passa na avenida o abre alas enorme, com uma escadaria apinhada de sapatiadores. Amo sapatiado, não esperava por isto. O choro só passou depois da bateria. Memorável.

Desfilar no Bicampeonato da Beija flor conseguiu ser uma emoção menor na comparação. Não procuro todas as experiências, só as únicas. Vou ser uma velhinha de poucas e grandes histórias pra contar, mesmo que..... não goste de carnaval. Sou realmente uma pessoa estranha.